Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

objeto de desejo



"Se eu não vejo

a mulher que

eu mais desejo

nada que

eu veja

vale o que

eu não vejo"

( Poema de Augusto de Campos adaptado de Bernart de Ventadorn ) ...

Sábado, Agosto 05, 2006

verso e reverso


era assim

como se eu saísse do mundo

e entrasse

num universo

diverso



o inverso

era assim

como se eu entrasse no mundo

e saísse

eclipse




o mundo

então

era algo assim

como um verso

reverso

em mim



.

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

oxalá meu pai, tenha pena de nós, tenha dó ...

se a volta do mundo é grande, seu poder é bem maior !



preciso ir
até onde
a intuição
me levar

além
de onde
a imaginação
me leva

ser pluma
planar
onde
nada
nem
ninguém

de estar

devo ir

preciso

impreciso

Segunda-feira, Julho 31, 2006

nem tudo que reluz é ouro


paisagem com filtro

Quinta-feira, Julho 27, 2006

ao que parece o tempo passa a gente esquece



parece sim
estamos
ainda mais
desolados

nos preparando

parece sim
que mercúrio
está retrógrado
e ainda mais

estático

parece que
buscamos
o imponderável
tocamos
o impalpável
enxergamos
o invisível

parece sim
estamos juntos
num lugar passado
e agora
estamos juntos
no futuro

parece que
o tempo
perdeu-me
e perdeu-se

parece que
o destino
destina-se
sempre
ao mesmo lugar

buscamos
reencontros

talvez

beber
muito
mais
água
até
ficarmos
totalmente
novamente
desnecessariamente
embriagados

Sexta-feira, Julho 21, 2006

um silêncio vale mais que mil palavras ...

Quarta-feira, Julho 19, 2006

partículas

a chegada

é simplesmente

mais difícil

que a partida


encontrar

o que éramos

antes

de irmos


nós

que já

nem somos mais

aqueles

de antes

e agora

mesmo

voltamos

devagar

a ser

o que

já era

mais

aquilo tudo

que se foi

Terça-feira, Julho 11, 2006

cidades


saudades de céu

azul cuiabá

saudades de céu

espelho de rio no mar

saudades de céu

sem pálido cinza

saudades de não

estar aqui ou ali

saudades de estar

em outro lugar

.

cidades

saudades do céu

azul cuiabá

saudades do céu

espelho de rio no mar

saudades do céu

sem pálido cinza

saudades de não

estar ou ali

saudades de estar

em outro lugar

Segunda-feira, Julho 10, 2006

chegada

chegar em casa

abrir as malas

e os arquivos

desfazer a cama

refletir sobre

simplesmente

estar vivo

a finitude do planeta

a imensidão do infinito

apreender o ciclo

da lua

e da terra

a intuição do fogo

chama que arde

queima

como as gotas

da água

chuva

que

cai

Sábado, Julho 08, 2006

devoção

na noite estrelada
só o cruzeiro do sul
é meu norte

no céu infinito
é como se eu me
sentisse assim tão longe

no espelho desse rio
te enxergar de um jeito
diferente, impreciso

eu preciso desse mar
que vai chegar
e um dia vai levar
pra nunca mais
o mesmo rio
que me faz cantar
outra vez
canto porque choro
choro porque rezo
rezo porque vivo
vivo porque canto
amor, cio, devoção

tetê e jerry

despedidas

estamos em campo grande

verônica e marcio aurélio ficaram no aeroporto e já devem estar em cuibá a essa hora

o blass ficou em corumbá, amanhã ele segue para o salar da bolívia com suas botas de asas

quem é daqui está em casa, o sandro, o jerry ...

o alex já encontrou seu filhinho daniel

seguiremos para são paulo num vôo madrugada, alzira, tetê, marcelinho e eu

lucina vai para o rio, onde faz um show na quarta-feira ...

nos abraçamos com carinho, agradecidos

nos olhamos

no fundo dos olhos o reflexo das águas ainda marejavam

a alzira disse ...por isso tome folego...


durante os 20 dias de expedição compomos 15 canções, as letras estão publicadas e assim que possível também as músicas poderão ser ouvidas nesse espaço.

a partir de amanhã novas fotos e comentários sobre a expedição, takes do documentário, enfim ainda tem muita história pra contar

a idéia é manter, nesse espaço aberto, uma pequena porta para o infinito

.

convite



convite

feitiço de onça
grito de arancuã
olhos de jacaré
bico de bem-ti-vi

a linda jaçana
pula de flor em flor
o martim-pescador
cortou o azul do céu

no cipó da manhã
o sol já vai alto

espelho d'água
espelha a alma
ao som do sapo
a lua canta

os vagalumes
estão grilantes
e as estrelas
tão cintilantes

embalando a noite
já é madrugada

estão todos convidados
convidados
estão todos convidados

é gavião
cabeça-seca
a juriti
e o jaó

a capivara
a sucuri
gato-do-mato
arariranha

e as formigas
as borboletas
os ribeirinhos
o comandante e a tripulação

tetê e carol

Sexta-feira, Julho 07, 2006

lua em pauta


ares de despedida

as malas quase prontas



nós

mais prontos que antes



ser espelho



e estar aqui

ontem ...

o show



o público

Quinta-feira, Julho 06, 2006

chegamos em corumbá

tetê e jerry




a alzira


maurício


marcelinho



sandro




alex


lucina



veronica




todos nós ainda estamos refletindo ...



e como não poderia faltar

a lua vem




e vai ...

vazante

luas e músicas nascentes ...



Beijo prata

o rio tem mesmo a sua cor
navego pra saber
de uma estrela solta
no seu rosto feliz

no céu escuro te ouvir
na outra dimensão
sou uma nave na sua mão
meu rumo, o seu coração

anda que o dia vai chegar
o sol não deixa esconder nada
não há o que possa me curar
a não ser seu beijo prata

chuva não molha
pra não apagar esse fogo
provoque com seu riso
o rio passa e volta novo

marcelo ribeiro, alzira e. jerry



povo de beira rio
vive de pé no chão
chão de água-pés
e canoas
terra no coração
águas que vem e vão
trazem canto de ema
piracema venha
tempestade não

pedido de beira rio
chora chora rio
ora rio
na canção

perdido à beira rio
espelho do céu no chão
brilho de toda essa gente
outra civilização

vem descendo a corrente
venha gente
venha gente

lucina alzira e.

quase em terra


pousados, olhando ...


vagando ...


refletindo



a alzira pergunta:
espelho espelho meu, existe pantanal mais lindo do que o seu ?


o vento responde ...



abre as portas ...

e a lua se põe



Quarta-feira, Julho 05, 2006

mais música ...



eu pensei que você de fosse barro
eu pensei em você água, eu jarro
eu pensei em guardar você em mim
eu pensei, agi, tentei e estamos aqui

nessa floresta de som
nesse tin tin de cristal
nesse tan tan pantanal

o acorde acorda a manhã
o sonho se faz real
é e por triz esse gosto do fruto na boca
dessa semente ancestral

jerry, alzira e lucina





eu vou descendo o rio
pra corumbá
levo umas prendas menina
pra te ganhar

brinco, vestido, fita
pra te ornar
e uma rede de linha
pra namorar

é só você me esperar lá na beira do cais
olhando para o horizonte meu barco te atrai
mandei um beijo no ar
pra ti tocar
e o vento no rosto
te faz tremer
no por do sol terei você

lucina e jerry

Terça-feira, Julho 04, 2006

Mais um dia

reunimos uma galera no quintal da dona ticiana ...



fizemos um showrrasco...





foi assim ...



primeiro a cores ...



todos ficaram olhando ...



estranhando ...



saímos todos alimentados ...

poderíamos ficar por aqui toda a eternidade ...

até amanhã ...

Estamos aqui

Estamos aqui

vendo o amanhecer ...

no pé da serra do Amolar...

é assim esse cenário...


poema antigo, música nova

sinais de fumaça

veja meus sinais de fumaça
minhas pálpebras
meus olhos fechados
sinta o meu desejo

esse fogo
você sabe
me pertence
me consome
me percorre

envio meus
sinais de fumaça
aos seus sentidos
é um aviso

essa brasa que arde
uma fogueira acesa
veja
espero um sinal que seja


carol e jerry

a lua vem :





a lua..


enfim

Segunda-feira, Julho 03, 2006

passagens

a paisagem é sempre outra

a cada instante uma nova canção ...




água-pés

dança dos camalotes
baile dos água-pés
rio que corre
verde que passa
asas que cortam o céu
duo que lembra notas
galhos sonoras pautas
margem florida
o dia promete
onça pintada de luz
e a lente dos olhos
filmando esse pantanal


lucina e tetê




deixamos para trás o mar de charaés ...


ramagens

rio é margem
rio é miragem
rio que chove na paisagem
o tempo lento
eu invento moda
bandeira ao vento
matos e matas
rumo a dentro
o rio a fora
o rio é ida
é despedida
volta a esperança
a lua dança
rio mudança
águas ramagens
miram passagens
nos vastos pastos
roçam no vento
o que é que está
do lado de lá ?
é mar
é mar

alzira e. carol


...e a serra do amolar

me comunico
telepaticamente
o som traduz
o que o coração
sente
lua crescente
aumenta a saudade
na gente
aquele momento antes
chegará logo
um lago
ali na frente
e o nosso amor
se espalhando
desse rio até vazante
fica ainda mais instigante
que por mais distante
estamos juntos
nesse instante

alzira e.
03/07

estamos bem e felizes !
com saudades de casa ...

qualquer rio

a sua voz
nos meus ouvidos
o rio leva
as tuas mãos
versos e gestos
o rio leva
e na canção
vamos nós dois
o rio leva
outro momento
que vem depois
o rio leva
o brilho d'água
pro teu olhar
o rio leva
lava minha alma
num abandono a beira rio
no rio eu sondo
um som de sonho
rio
sem fim
leve me leva

alzira/alice/tetê


ps:
joguei pro céu
aquele anel
na luz da lua
no rio
prata refletida
feixe em festa
nada me resta
só vida servida

alzulilás

até onde a vista alcança





lua nova -

o barco parado

é o rio quem vai



amanhece -

todas as cores acordam

nas nuvens do céu



um dia se vai -

nas águas deste rio

o céu refletido ...

o sol se põe
e a noitinha vem
e a lua
sempre a mesma
outra
lua
...



paramos para ouvir os sapos e dormir
amanhã será outro dia

boa noite ...

Domingo, Julho 02, 2006



estamos indo para o sul
rio abaixo
cantando

nas curvas do paraguai
músicas frescas
e novos cenários
a cada curva do rio




cruzamos com uma a embarcação
que carrega soja
e quase não faz a curva ...
solta fumaça
assusta os pássaros
destrói o barranco
isso porque
estamos num parque nacional

sustenido



sustenido

seu som é sopro
aos meus ouvidos
seu gemido
seu grito
seu jeito de incenso
doçura que ensopa
me arrepia inteira

sopra essa canção
em sustenido
me primavera
como alguém que chega
de repente
e abre a porta
para o infinito

lucina e carol

estamos em descalvados...


chove música

essencial

desfaço a mala
sigo viagem
tiro adereço
vou no essencial

essencial em mim
é a coragem

o rio passa
eu permaneço paisagem

vontade de mudar o mundo
passo a passo abrir espaço
movimento dentro
afluente do futuro

água dos matos
águas do mato grosso
água de rio cuiabá
paraguai

tetê e lucina

águas

Sábado, Julho 01, 2006





vejo a lua
ainda
indo
vai sumindo
sumindo
a lua
crescendo
partindo
a lua
fita
fina
linda
ainda
vejo e lua
logo
não mais

música para o poente

Paisagem



S 016º 31' 35.2"
W 057º 48' 56.0"

lá fora ...

Atrasado


por água
ou
por terra
nessa imensidão
ainda dentro
do mato
assistimos
ao descaso

nossa expedição
nos permite
mergulhar
neste espaço
e rever
nosso traço

por verônica

vai partir ...

a partir de hoje os posts acompanham o ritmo do rio paraguai
re mansamente continuaremos enviando notícias todos os dias
fotos, de dentro e fora do barco
e textos de dentro da gente

a partir de hoje o desconhecido será
nosso companheiro de viagem

a descoberta se revelará
a cada amanhacer
na luz do dia
a cada entardecer
na escuridão da noite
navegando
nas curvas deste rio

todos nós
quase uma família
nos desconhecemos menos agora
e vamos
pouco a pouco
nos reconhecendo

de novo na chalana
o rio nos ampara e nos guia
seu fluxo transforma
nosso tempo-espaço
em descoberta
quase revelação

que os próximos seis dias
sejam de encantamento
e mais uma vez
que todos os deuses
nos acompanhem

também vocês, viajantes virtuais
que tornam esse espaço muito mais do que ele é
e que junto com a gente
sentem, choram e riem
se emocionam
e engrandecem
essa expedição

uma boa viagem a todos nós !

Sexta-feira, Junho 30, 2006

assim será ...

foi assim ...

o show



o público

sonata sem fim para manoel de barros

ele surgiu assim
numa dessas viagens no rio
entre a névoa e a nuvem
entre o rumor e a bruma
onde a palavra soma
e o pássaro entoa

não trocamos mais do que bons dias
não rezamos juntos as ave-marias
não declaramos sequer uma poesia
que não o encontro
de nossas mãos mornas
e vazias

reconheci em seus olhos
a imagem nítida da paisagem
ele repetia em cada gesto
a precisão do remo na imagem
o sossego e a dispersão
das figuras de linguagem

ele não era senão metáfora de si mesmo
e eu - aprendiz -
de um velho poeta louco
domador da palavra e do sentido
capaz de lesma e gosma
capaz de tudo

não sei desde quando ou até
não sei se
ou senão
tomou me como a um café
de manhãzinha
e mijou-me
ao pé da mangueira

(por ele não me importaria em ser mijo
não me importaria, simplesmente)

naquela paisagem
onde as letras conformam as palavras
rio é mar, é riacho, é córrego e nascente
arrebol é mais que sol poente

naquele momento
em que o tempo pára
e tudo nasce
e envelhece e morre
quando o musgo vira árvore
e o sapo pedra
– é a hora do vamô vê !

e se foi ...

onde já se viu?

voou como um papel ao vento
como um pássaro ao entardecer


(na insignificância do desencontro
munidos de ciscos e restos
a tentação de desinibir as palavras
só para desiliminá-las depois)

Quinta-feira, Junho 29, 2006

cáceres é show


passagem de som

agorinha mesmo


S 16º 03' 57.6'' W 057º 41' 10.6''

escuta

aqui de longe

meu grito rouco

não será pouco

solto

como um vôo

ecoa

leva pra perto

olho no olho

corpo à corpo

a espera de ser

a cada porto

em todo cais

um pouco porta

um pouco mais


28/2006 por alzira e.


chegamos em cáceres ...


arrumar as malas
pegar a van

uma cheia de gente
outra cheia de bagagem

viagem por terra
asfalto
deixamos pra trás
os garimpos
embora os buracos
da estrada
tenham nos acompanhado
por algum tempo

des caminhos
um des caso nacional
provavelmente porque
político anda mesmo
de avião

deixamos pra trás
o rio cuibá
lá em porto cercado
antes mesmo de poconé
que não tem rio

e encontramos
finalmente
o rio paraguai

o jantar foi peixe
muito bem servido

ventrecha de pacu
que é vegetariano

aquelas costelinhas
tudo de bom ...

e o rio ...

chegamos a noite
o show será amanhã

que são pedro nos
abra as portas
para o matão
que vem por aí

.

Quarta-feira, Junho 28, 2006



asas na águas

púrpuras do céu ...

e a noite vem ventando


por tetê

fachada

na cidade de poconé existe um horto, uma área de recomposição de um buraco de garimpo desativado, iniciativa louvável, não fosse o fato de que ao lado, bem ao lado mesmo, existe uma mineradora funcionando.



é impressinante a quantidade de terra movimentada, a ferida, o trauma que esse tipo de atividade traz para o nosso planeta.

essa é a porta do pantanal, um buraco em que só há saídas, tudo se retira e nada se devolve, nem se resolve.

o garimpo aqui é centenário e legal, feito corretamente, com a aprovação do poder público, mas para mim não é possível conviver com isso dentro do pantanal, é no mínimo uma imoralidade ...



quando é que as pessoas vão compreender que o verdadeiro ouro está entre o amanhecer e o crepúsculo, entre a lua nova e a cheia, entre o homem e o bicho, e nada mais tem valor.
ouro é arrebol. dinheiro é papel pintado, e não vale nada


o buraco não tem fim minha gente, o poder está concentrados nas mãos de alguns poucos, e mais uma vez é a natureza quem padece.

silêncio



longo o outono …
no silêncio do poeta
passam lentas nuvens

Terça-feira, Junho 27, 2006

tudo aquilo que a nossa civilização rejeita, pisa e mija em cima, serve para poesia.

manoel de barros, poeta sul matogrossense

quanto lixo por aqui ...



é impressionante que poconé, uma das porta de entrada para o pantanal norte, não tome providencias com relação ao lixo urbano, uma vergonha pra mouros e cristãos. uma vergonha pra cidade, para o estado, para o país.

até quando vamos permitir que o poder político se sobreponha aos reais interesses dos cidadãos?

até quando a falta de educação nacional vai se espalhar pelas ruas, rios e córregos ?

é mais que triste, é um atentado, um lixo, um descaso,

pobre e ricos, cada qual no seu campo de batalha,
quem venceu a cavalhada não sei ...

só sei que a natureza continua perdendo a guerra



LIXO AQUI NÃO É POCO NÉ ... VAMOS MUDAR DE ATITUDE ...
.

água-pets




por aqui os água-pés são conhecidos como camalotes

a flor do camatote tem história ...

mude de foco e veja

água-pés e água-pets



duas partes da paisagem

sobre a situação

o extrativismo
o garimpo
a madeira
tudo tem
que ser
reescrito
a história
é outra

a natureza não se impõe mais
não é mais a nossa inimiga
como nos tempos dos dinossauros

o progresso é progressivo

o tempo é agora

a situação é a seguinte:
ou a humanidade se liga e
redescobre esse planeta ou

vamos continuar vivemdo assim
como na idade média

a natureza está indo embora
nossos rios escoam e ecoam

o futuro é hoje

humanidade
toma um guaraná e
se liga

é hora de deixar
a paisagem em paz,

o brasil precisa
fingir menos
e agir mais

mais rigor

nossos peixes, pássaros,
flores, matos, rios ... mares ...
estão sofrendo

nos próximos 20 anos
muitas espécies estarão extintas

e nós,
humanos
por quanto tempo
ainda
vamos existir

resistir ...
lutar ...

o planeta
nossa casa
merece uma faxina

e você
está disposto
a mudar
o mundo ou
pretende
se mudar
pra lua ...

monet



o que diria monet diante da infinitude pantaneira ?

de certo morria de infarto no miocárdio
a paisagem exuberante refletida
na água parada
na água corrente
a paisagem
eternamente

Segunda-feira, Junho 26, 2006

re tratz

alzira e.

alex (fralda)

jerry rege

a lucina

passagens


pessoas com suas malas

mochilas e valises

chegam e se vão

se encontram

se despedem

e se despem

de seus pertences

como se pudessem

chegar a algum lugar

onde elas mesmas

não estivessem



poema de Alice Ruiz,

que nos acompanha virtualmente
nessa viagem

as estrelas inauguram a noite

as formas
se dissolvem

antigamente
como seriam os deuses?

Domingo, Junho 25, 2006

reflexões


embarcação



o tempo vem de longe
vem pelo rio
o vento vem descobrindo
tudo que foi
meus olhos enchem de água
vão pelo rio
na dança nossa lembrança
é tão antiga
e ainda criança
vão pelo rio
dando arrepio
que ironia
as águas frias aquecem
nossos dias

vem meu amor
vem pelo rio
vem na canção
a embarcação
vem pelo rio
vem me abraça
pega essa barca

lucin'alzira e.
barão de melgaço
23/06

Sábado, Junho 24, 2006

viva são joão !

valei-me santo antônio

escrever
é ato insano
sobretudo
o ritmo
do fluxo

a intensidade
cidade
derradeira tinta
derrama-se
no céu de
inverno
verão
minha solidão
é enorme

vasto o mundo
raimundo
mínimo
como o tempo
que implode

descrever
é ato insano
a imagem
exposta
a mostra
impõe
nossa tentação

barão

o show

tetê, nas estrelas

marcelo ribeiro

sandro moreno

o público

Sexta-feira, Junho 23, 2006

aportados



barão de melgaço

ontem

....viagem
retorno de júpiter

o vento
é brisa

passagem

o espaço
os astros
as estrelas

pessoas que se agrupam

uma garça
três canoas

parece que
nada
nessa vida
é à toa

as imagens
não capturam som
nem cheiro
nem sabor
só luz e cor

palavra que decifra
discorre
demora pra chegar

hora da partida

o capitão diz
não devemos ir
todos para
o mesmo lado

barco de
baixo calado

quem rege
é o jerry

o motor liga
lá vamos nós

o curso :

- diz aí capitão, o rio está bem baixo, não ?

- é ...


- quando seca não passa mais, né ?

- EU PASSO !
- chego até cuiabá, se for preciso.
- tem que saber navegar, conhecer o rio.
- vê ali, onde a água encrespa, é praia


22/06
10:37

partimos todos
nessa viagem
em direção ao
desconhecido
descoberto
rumo
a nós
mesmos

panapana

mil borboletas

uma voando

Quinta-feira, Junho 22, 2006

lá vai uma chalana ...

o rio

a lagoa

o tempo

é agua

que escoa


a chalana

a canoa

a água

é tempo

que acalma

.

o mundo é uma bola ...

+ siriri

haicais

fim de tarde
os pássaros em bando
voltando pra casa

quase noite
um pássaro solitário
no céu

cai a noite
a primeira estrela
é vênus

leverger


Quarta-feira, Junho 21, 2006

saias



alzi E screve:

quanta água

canta água

quanto bicho

canta bicho

quanto peixe

alimenta

esse que sou

feixe dágua vivo

esse rio


Terça-feira, Junho 20, 2006

CHAPADA

fui e voltei

CHAPADA

...


asas à imaginação

chuvisco

"eu quero simplesmente te dar um presente"

fio condutor

amanhã

pela manhã
CHAPADA
.

Segunda-feira, Junho 19, 2006

jardim vitória

olho para o céu e procuro as plêiades, sempre procuro primeiro as plêiades, mas é escorpião inteiro o que eu encontro, a santa crux, orion num céu aberto até não poder mais.
periferia, a rua de terra nua
a terra vermelha mesmo durante a noite parece sangue às vezes
as tirinhas verde amarelas penduradas tremulam com o vento
a noite é fresca

oficina de canto ao lado
bla, ble, bli, blo, blu
A A E E I I O O A

no céu as estrelas e os satélites
as estrelas são os olhos da noite sem lua

a rua de terra o bairro precário as crianças felizes

- a senhora é de são paulo capital? conhece santos?
me pergunta o mais tímidos dos meninos que estavam pra fora

fotos e endereços trocados
a oficina termina
o burburinho começa
fecho o caderninho

- todo rio vai dar no mar, né? então o mar deve ser sujo ...

- eu gosto de sair de uma estrada e seguir por outra, eu gosto de geografia

- eu conheço quatro estados e um país



norlam da rocha costa nascimento 16/07/1994

cuiabá é quente e seco

ainda não vi o rio

.

anunciação

prato do dia

porta do dia

porque você pediu uma canção para cantar

aline figueiredo é a história viva do mato grosso - do mato grosso sem norte ou sul - de quando ainda era capitania de são paulo

cuiabá 1719 é anterior a capitania de mato grosso 1748, cuja primeira capital foi villa bela, lá no oeste

aline, nossa anfitriã nesse domingão de copa 2X0, e tetê com saudades do pelé. enfim, dourado na mesa, foto da galera

anotei o que me disse aline na sua sabedoria históricoartística do planeta :

- o rio é estrada que anda

"eu, bandolero, no meu cavalo alado"
é o som de fundo do ensaio ao lado

- o rio paraguai é de remanso, manso, de tempo lento e curvas largas

a noite chegou e quase nem se percebe. o calor. o ar. o ventilador. histórias dos pernilongos, lendas, ensaios, tudo se mistura e dissolve

- a história se escreve com a geografia

eu... vou eu me situando com o GPS - que bóia- meu único equipamento a prova d'água

horizontes a perder de vista

________________________________
coordenadas do dia:

hotel deville
s 15º 35' 37.9''
w 056º 06' 09.6''

casa da aline
s 15º 35' 41.3''
w 056º 06' 27.7''

onde estamos ?

o peixe e a galera



da esq para direita
sentados : lucina, tetê, alzira, aline, blass
em pé : verônica, copetti, alex, jerry, sandro e marcelinho

folhagens

bagagens

Domingo, Junho 18, 2006

HOTEL DEVILLE

cuiabá

a lua no último quarto
meia
entra inteira pela janela

nosso primeiro quarto

o corpo pede cama
pede descanso
merecido

amanhã
certamente o sol
inteiro
vai inundar o quarto
pela manhã
nascente
de onde agora
só noite e lua

a cidade se estende
e atravessa
a madrugada
pela janela
o reflexo
das distâncias
a percorrer

hoje ainda é ontem
acerto o fuso
e os relógios

amanhã
já é outro dia

Sábado, Junho 17, 2006

tudo pronto

malas prontas

todo equipamento na mão
terminal + câmera + filmes + clarinete

na bagagem as roupas + travesseiro + shampoo
+equipamento+ pilhas recárregáveis + cabos +++

na espinha um frio na barriga

tudo pronto

neste dia que entristeço a morte do bussunda
que me apresso no tempo para que passe mais lento
momento de saudade daquilo que ainda
não aconteceu

almoço em família
dupla

alzira + iara + joe+cauê+ aru + arru +
bia + zeca + guto +

ian em brasília volta amanhã

quando antes hoje já terei embarcado

21:42

bagagem de mão fora a minha tem
craviola + violão de aço + baixo
+ câmera HD alugada +++
mulheres ...

então é até já daqui a pouco
certamente um post da foto do embarque

amanhã é o ensaio
o jogo do brasil
estaremos juntos
expedicionando
expedicionários

hora do shut down e do check-in
do estou indo
volto na próxima lua cheia
e já nem quero mais parar de escrever

é hora
tudo pronto
e ponto

Sexta-feira, Junho 16, 2006

boa viagem !


da érica valente ...

Quinta-feira, Junho 15, 2006

diálogo inventado para manoel de barros

com o livro na mão, lhe disse:
- trouxe aqui uma máquina de reverter pedra em coração!
ao que ele me respondeu, sem entretantos:
- por aqui, minha filha, todas as pedras já foram revertidas...
e foi daí que ele me transformou num sapo, e costurou minha boca.
eu fiz dele uma pedra, e nunca mais saí de cima da sua cabeça.

Quarta-feira, Junho 14, 2006

dia útil

parece que nessa semana fatou dia, faltou mais gol do brasil ...

dia sim dia não vou tentando fechar as malas e desatar os últimos nós antes do embarque, sábado, 21:42, eu, alzira, tt, lucina e marcelinho saindo de são paulo destino cuiabá, os outros procedem de outros destinos.

hoje fui à arycom buscar nosso "equipamento de contato" - o terminal via satélite - um modem do tamanho de um laptop, mais pesado talvez, com uma antena que se desdobra em três partes e se transforma numa placa um pouco maior que uma folha A3 com espessura de uns 3 cms; a antena deve ser direcionada para o satélite, na verdade 2 estarão disponíveis para nós: um a norte, sobre belém, e outro a leste, sobre a áfrica, tecnologia inmarsat.

é relativamente simples: primeiro conecta o cabo da antena no modem e liga o aparelho que pede uma senha, daí, é só procurar o sinal direcionando a antena para o satélite, assim que passar dos 540 tracinhos, OK, contato estabelecido. veja que não se trata de um aparelho móvel e sim de um aparelho portátil.

o modem liga no computador e então é quase como se a gente estivesse em casa, não tem segredo e estamos conectados, podemos mandar emails, fotos, notícias frescas e úmidas diretamente dos rios do pantanal.

tudo muito maluco e contraditório, assim como sair dessa cidade seca e poluída e cair pr'oeste, lá pras terras onde o sol se põe, onde a lesma gosma; o centro da américa do sul, antigo mar do mais antigo mar de outras eras, hoje mar doce rio do pântano.

por lá quase não há variação de altitude, o que varia é o rio que cheia e vaza todos os anos, demonstrando a estação, movendo gado e formigas.

penso que o brasil é maior que ele mesmo, tão grande que não se reconhece, tão distante que não se percorre, rico nas diferenças culturais, pobre nas sociais; um país que pará e suspira junto: futebol !

agradeço ao pessoal da arycom: olívia, vietti, felipe e danni, pelo empréstimo do equipamento e, pela paciência em me ensinar a pilotar o terminal para que esse blog seja atualizado todos os dias durante a viagem.

agradeço ao andré gurgel que estará atualizando, durante toda a viagem, nossa rota no geobusca, colhendo os dados do gps e linkando com as fotos.

agradeço ao guto, meu querido companheiro de estrada, que dessa vez vai ficar por aqui, com as crianças, me ajudando na atualização do blog.

agradeço a alzira, a tetê, ao jerry e ao arnaldo que me deram a oportunidade de estar participando desse projeto, e ao arruda, que não vai, pela inspiração e pelo incentivo.

agradeço aos deuses todos, e, principalmente
agradeço a você, que estará por aqui, compartilhando, desejando e torcendo pelo nosso sucesso. é por você que qualquer esforço vale a pena.

viaje com a gente todos os dias ...
blog de bordo, na água até 9 de julho .

flores de dalí



colaboração de alzira

Terça-feira, Junho 13, 2006

prefácio às ficções de interlúdio

fernando pessoa (dat.1916?)

referem-se os astrólogos os efeitos em todas as cousas à operação de quatro elementos - o fogo, a água, o ar e a terra. com este sentido poderemos compreender a operação das influências. uns agem sobre os homens como a terra, soterrando-os e abolindo-os, esses são os mandantes do mundo. uns agem sobre os homens como o ar, envolvendo-os e escondendo-os uns dos outros, e esses são os mandantes do além-mundo. uns agem sobre os homens como a água, que os ensopa e converte em sua mesma substância, e esses são os ideólogos e os filósofos, que dispersam pelos outros a energia da própria alma. uns agem sobre os homens como o fogo, que queima nele todo o acidental, e os deixa nus e reais, próprios e verídicos, e esses são os libertadores. caeiro é dessa raça. caeiro teve essa força. que importa que caeiro seja de mim se assim é caeiro?

assim, operando sobre reis, que ainda não havia escrito alguma cousa, fez nascer nele uma forma própria e uma pessoa estética. assim, operando sobre mim mesmo, me livrou das sombras e farrapos, me deu mais inspiração e mais alma à alma. depois disto, assim prodigiosamente conseguido, quem perguntará se caeiro existiu?



in fernando pessoa - obras em prosa

Segunda-feira, Junho 12, 2006

poema para a felicidade de Alzira e arrudA

quando a felicidade entra
pela porta da frente
sai pela garganta
escorre entre os dedos
poesia largada em riso
verso sorrateiro
que atravessa a noite
travesseiro
vinho tinto
- mais uma taça
si vous plé
por seu prazer
levanta um brinde
aos dias que virão
futuro do presente

a felicidade
quando entra
pela porta
da frente
fica retida
na espuma
das ondas
nos seixos
rolados
das nuvens
no silêncio
da madrugada

a felicidade
é presente dos deuses
e das fadas

Domingo, Junho 11, 2006

3 haicais

estrelas e janelas
só uma acesa
- lua desta noite


viajante solitária
nesta noite sem nuvens
eu e a lua


lua desta noite
de outras tantas noites
quantas luas ?

Sábado, Junho 10, 2006

sentido

o dia da chegada
demora
o dia
da partida

a viagem
é o tempo
fracionado
entre o agora
e o depois

há tempos
que esta data
já estava marcada
agora é a hora
que se aproxima

a barca
tem o tempo
das águas
que percorre

a água
escorre
o tempo
que recolhe

Sexta-feira, Junho 09, 2006

bicho do mato

Quinta-feira, Junho 08, 2006

Paisagem fluvial

no ritmo das águas
no ritmo dos peixes
no ritmo dos seixos
rolando no rio
correnteza leva meu corpo
pra longe
junto dos juncos de musgo verdinho
macio
que aflora na fofa folhagem dos flancos
nessa paisagem fluvial flutuo
nessa paisagem fluvial eu vivo
navego entre as margens devagar
na grave gravura vegetal


(Tetê Espíndola e Arrigo Barnabé)

Quarta-feira, Junho 07, 2006

geografia astrologia poesia

francamente a geografia
não era o meu forte
nos tempos do colégio
nunca entendi porque
decorar
aquelas informações
pudera
meu professor
policial rodoviário
teria passado por quantos
daqueles tantos
lugares ?

mais tarde na vida
nas estradas estragadas
o pneu sobre o chão batido
os mapas
os mapas
a geografia materializada
nos vales e nas montanhas
do destino ao ponto
de partida
a estrada
foi pra mim
um divisor de águas

no sentido geográfico
o mapa astral
não é nada mais
que um indicador
de caminhos
possibilidades de paisagens
estrelas iluminadas
quem sabe
do destino ao ponto
de chegada
quando se nasce
somos peixe
fora d'água

a água do homem
é o ar
que ele respira
a terra
onde derrama a semente
o fogo que aquece a alma
desfaz-se em poesia
sei que tudo já foi dito
tudo já está escrito
nos mapas
nos astros
desde marte
até o egito

Terça-feira, Junho 06, 2006

brisa

escrito nas estrelas

Horóscopo Diário Pessoal de Carol, 13 Abril 1968

©Astrodienst AG

Recolhimento intelectual

Embora este seja um período de recolhimento do ponto de vista intelectual, não se trata de recolhimento num sentido negativo. Você não se recolherá para fugir da realidade, mas para refletir e ponderar acerca de todas as idéias que vem tendo ultimamente. É uma boa ocasião para examinar sua vida pessoal e avaliar até que ponto está satisfazendo suas próprias necessidades. Este trânsito favorece enormemente as discussões em família sobre as questões que afetam a todos. Seus pensamentos poderão transportar- se muitas vezes a fatos que ocorreram no passado, levando-a a perguntar-se por que não consegue se concentrar nas coisas do presente. Como você estará em condições de verbalizar até seus mais íntimos pensamentos, deverá fazê-lo sempre que sentir que algo precisa ser dito. Não deixe que se acumulem pressões dentro de você por não expressá-las aos que a cercam.


Trânsitos selecionados para hoje:
Mercúrio na 4ª Casa 4
Período ativo de 30 Maio 2006 até 19 de junho 2006.

fonte: www.astro.com

água é fogo ...

Domingo, Junho 04, 2006

blood mary

Eu sou uma Mulher
poema de Marina Colassanti

Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar
Os homens vertem sangue
Por doença
Sangria
ou por punhal cravado,
rubra urgência
a estancar
trancar
no escuro emaranhado
das artérias.
Em nós
O sangue aflora
Como fonte
No côncavo do corpo
Olho d´água escarlate
Encharcado de cetim
Que escorre
Em fio
Nosso sangue se dá.
De mão beijada
Entrega-se ao tempo
como chuva ou vento.
O sangue masculino
tinge as armas
e o mar
empapa o chão
dos campos de batalha
respinga as bandeiras
mancha a história.
O nosso vai colhido
Em brancos panos
Escorre sobre as coxas
Benze o leito
Manso sangrar sem grito
Que anuncia
A ciranda da Fêmea.
Eu sou uma mulher
Que sempre achou bonito
Menstruar
Pois há um sangue
Que corre para a morte.
E o nosso
Que se entrega para a LUA.

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
.....................................................................

José Régio,
pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.
fonte: www.releituras.com/jregio_menu.asp

Quarta-feira, Maio 31, 2006

meu caro

espero que tenha chegado bem
nessa viagem
e que seu destino
seja tão certo
quanto o nascer dos dias
tão doce
quanto as jabuticabas
no verão
eu
ainda estou aqui
esperando o dia
da partida
como quem espera
num corredor lotado
a sua vez
contando os dias
e as horas
prisioneiro que sou
deste reverso
calculo matematicamente
todas as possibilidades
do imprevisível
estendo minhas noites
sobre o diário das viagens
alheias
como se fossem minhas
só minhas
e sonho
extensão do ser
intenção do verbo
nem saí daqui
e já estou viajando

Terça-feira, Maio 30, 2006

s i l ê n c i o

"Eu tenho à medida que designo - e este é o esplendor de se ter uma linguagem.Mas eu tenho muito mais à medida que não consigo designar. A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la - e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado através do fracasso da minha linguagem.
Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu"

LISPECTOR, Clarice. A Paixão Segundo G.H.. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1990, p.180.
in www.triplov.com/coloquio_05/julio_cesar.html

Sábado, Maio 27, 2006

Do lugar onde estou já fui embora

O Livro sobre Nada

Manoel de Barros


Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora.

MANOEL DE BARROS, poeta e fazendeiro mato-grossense, nasceu em 1916 e teve seu primeiro livro publicado em 1937 - Poemas concebidos sem pecado. Passou a ser mais conhecido a partir do ano de 1997, quando ganhou o prêmio Nestlé de Literatura. De seu "Livro sobre Nada", Editora Record - Rio de Janeiro,1997, págs. diversas, já em 5ª edição, extraímos os versos acima. Nele o autor diz, a título de "Pretexto":

"O que eu gostaria de fazer é um livro sobre nada. Foi o que escreveu Flaubert a uma sua amiga em 1852. Li nas Cartas exemplares organizadas por Duda Machado. Ali se vê que o nada de Flaubert não seria o nada existencial, o nada metafísico. Ele queria o livro que não tem quase tema e se sustente só pelo estilo. Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora."

fonte: http://www.releituras.com/manoeldebarros_nada.asp

nanã

Quinta-feira, Maio 25, 2006

coisas da vida ...

Quarta-feira, Maio 24, 2006

sim ou não !?!

people are strange ...

People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted
Streets are uneven when you're down

When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange
When you're strange
When you're strange

___________________________________________
Doors
Strange Days
___________________________________________

Terça-feira, Maio 23, 2006

águas passadas ...


parquedozizo.com.br são miguel arcanjo sp

Segunda-feira, Maio 22, 2006

Sobre Um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
– a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
– Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Hélder

Domingo, Maio 21, 2006

que a vida ...

seja um mar de rosas

bom dia !

acorda baby
já é tarde
olha o céu azul
da cor
deste domingo

acorda baby
que o dia está lindo
que o tempo
anda lento
e o sol
está sorrindo

acorda baby
já passou da hora
de estar dormindo

acorda ...

eu já vou indo ...

Sábado, Maio 20, 2006

reflexão

Sexta-feira, Maio 19, 2006

contagem regressiva

dia 19 de junho vamos de fato

embarcar nessa viagem cuiabá > corumbá

durante 20 dias navegaremos os rios cuiabá e paraguai

conviveremos em um barco

14 pessoas envolvidas + tripulação + produção local


surpreender e surpreender-se

encontrar a palavra-chave

a frase que desvenda

e transforma

o instante

em texto
prosa
verso
imagem
sentimento

três haicais

a rã de Basho
salta sobre as nuvens
espelho d'água


na manhã azul
pássaros coloridos
estão de passagem


grandes nuvens
e as montanhas ao longe
não existem mais

Quinta-feira, Maio 18, 2006

verdade



fonte: googlemaps/geobusca

verdura

Quarta-feira, Maio 17, 2006

expedição

seguir
nosso caminho
destino
descer o rio
redescobrir
na água dos matos
os povos do brasil

quem sabe o que nos espera
nessa rota
trilha geoespacial
na curva do rio
que se abre
página a página
como num antigo
livro de estórias

como antes
nas antigas expedições
os ilustradores
os escribas
os escritos
relatos de bravos
desbravadores

nessa era
nossa
outra
a foto é digital
bloco de anotações laptop
a chalana tem gerador
o ar é condicionado
e a informação voa
via satélite

na terra
de manoel de barros
me inspiro
pra compor esse retrato
relato refletido
no espelho
destas águas

coordenadas

AGENDA

19 de junho de 2006
São Paulo > São Gonçalo

20
São Gonçalo >
S 15 39' 12.8"
W 056 04' 02.6"''

21
Santo Antônio Leverger
S 15° 51' 59.2''
W 056° 04' 38.8''

22
Santo Antônio > Barão de Melgaço

23
Barão de Melgaço
S 16° 11' 41.6''
W 055° 58' 04.6''

24
> viagem Rio Cuiabá

25
Rio Cuiabá > Porto Cercado >
S 15° 54' 11.8''
W 056° 12' 55.2''

26
Poconé

27
Poconé >
S 16° 15' 26.8''
W 056° 37' 24.4''

28
Cáceres

29
Cáceres

30
Cáceres >
S 16° 04' 15.6''
W 057° 40' 45.6''

01 de julho
viagem Rio Paraguai

02
Rio Paraguai

03
churrasco musical comunidade ribeirinha
04
churrasco musical comunidade ribeirinha

06
Corumbá

07
Corumbá
S 19° 00' 21.1''
W 057° 39' 04.3''

08
Corumbá > São Paulo
S 23° 33' 04.2''
W 046° 38' 03.4''

Terça-feira, Maio 16, 2006

conectividade

quando o projeto água dos matos se concretizou mediante o patrocínio da natura, uma nova idéia surgiu:
nesses vinte dias de expedição pelas entranhas do rio paraguai seria possível estar on line, via satélite, conectado com o planeta, de lá, do barco, mostrando e comunicando ao mundo as nossas descobertas.

acreditando que a notícia em tempo real é a base da comunicação na sociedade contemporânea, e que ao mesmo tempo existem comunidades espalhadas pelos confins do mundo sem qualquer “conexão” com os acontecimentos globais, vivendo sem carro, sem luz ou telefone, unir estas duas realidades será nosso desafio.

enviar imagens e textos com as nossas impressões, ter a disponibilidade de comunicar as sensações do encontro com a natureza e com as pessoas que tem seu universo circunscrito ao rio, no coração do pantanal, será nosso objetivo.


Conectividade … o que é?


conectividade é contar a estória de dentro dela e a partir dela; poder transmitir através de fotos e textos como é participar de uma expedição como esta. É possibilitar a qualquer pessoa deste planeta se juntar a nós nesta viagem.

durante a viagem a comunicação se dará através deste blog, com num diário de bordo, relatórios poéticos e fotografias, tudo transmitido via satélite pelo sistema GAN da inmarsat, gentilmente cedido pela empresa arycom.

com a utilizacão de um GPS para enviar as coordenadas o site geobusca.com.br disponibilizará nosso trajeto nas imagens de satélite google maps, e fotografia agregando informações precisas sobre a nossa localização.


Conectividade … por quê?

aproveitar a tecnologia e vencer a barreira do espaço, plugados e isolados ao mesmo tempo, distante das grandes cidades, em meio a pequenas comunidades ribeirinhas, convidadas para um churrasco e show, deste lugar onde as notícias chegam de barco ou a cavalo, deste lugar poderemos nos comunicar com o mundo.

navegar pelo pantanal e conectar-se via internet é a nossa viagem, queremos proporcionar para você uma perspectiva real e ao mesmo tempo poética da diversidade cultural brasileira;

durante os 20 dias da expedição fazemos um convite para os internautas do planeta nos acompanhar nesta viagem.

Quinta-feira, Março 30, 2006

viagem

é tanta água
que parece
tudo inundado

tudo tão
cheio de cores
essa estrada
o rio
o nada

navegaremos

e nosso sentido
é água
que deságua

desanda
um dia
em mar
o rio
que vai
nos levar