água dos matos - blog de bordo
nossa expedição carrega na bagagem e no coração o sonho de levar muita música, arte e educação ambiental para as comunidades ribeirinhas do pantanal. navegaremos os rios cuiabá e paraguai com espírito aberto - de 19 de junho a 9 de julho - para comunicar nossa arte e aprender com toda essa gente.
Quinta-feira, Janeiro 15, 2009
Sexta-feira, Agosto 18, 2006
Sábado, Agosto 05, 2006
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
Segunda-feira, Julho 31, 2006
Quinta-feira, Julho 27, 2006
ao que parece o tempo passa a gente esquece

parece sim
estamos
ainda mais
desolados
nos preparando
parece sim
que mercúrio
está retrógrado
e ainda mais
estático
parece que
buscamos
o imponderável
tocamos
o impalpável
enxergamos
o invisível
parece sim
estamos juntos
num lugar passado
e agora
estamos juntos
no futuro
parece que
o tempo
perdeu-me
e perdeu-se
parece que
o destino
destina-se
sempre
ao mesmo lugar
buscamos
reencontros
talvez
beber
muito
mais
água
até
ficarmos
totalmente
novamente
desnecessariamente
embriagados
Sexta-feira, Julho 21, 2006
Quarta-feira, Julho 19, 2006
partículas
a chegada
é simplesmente
mais difícil
que a partida
encontrar
o que éramos
antes
de irmos
nós
que já
nem somos mais
aqueles
de antes
e agora
mesmo
voltamos
devagar
a ser
o que
já era
mais
aquilo tudo
que se foi
Terça-feira, Julho 11, 2006
cidades
saudades do céu
azul cuiabá
saudades do céu
espelho de rio no mar
saudades do céu
sem pálido cinza
saudades de não
estar ou ali
saudades de estar
em outro lugar
Segunda-feira, Julho 10, 2006
Sábado, Julho 08, 2006
devoção
na noite estrelada
só o cruzeiro do sul
é meu norte
no céu infinito
é como se eu me
sentisse assim tão longe
no espelho desse rio
te enxergar de um jeito
diferente, impreciso
eu preciso desse mar
que vai chegar
e um dia vai levar
pra nunca mais
o mesmo rio
que me faz cantar
outra vez
canto porque choro
choro porque rezo
rezo porque vivo
vivo porque canto
amor, cio, devoção
tetê e jerry
despedidas
estamos em campo grande
verônica e marcio aurélio ficaram no aeroporto e já devem estar em cuibá a essa hora
o blass ficou em corumbá, amanhã ele segue para o salar da bolívia com suas botas de asas
quem é daqui está em casa, o sandro, o jerry ...
o alex já encontrou seu filhinho daniel
seguiremos para são paulo num vôo madrugada, alzira, tetê, marcelinho e eu
lucina vai para o rio, onde faz um show na quarta-feira ...
nos abraçamos com carinho, agradecidos
nos olhamos
no fundo dos olhos o reflexo das águas ainda marejavam
a alzira disse ...por isso tome folego...
durante os 20 dias de expedição compomos 15 canções, as letras estão publicadas e assim que possível também as músicas poderão ser ouvidas nesse espaço.
a partir de amanhã novas fotos e comentários sobre a expedição, takes do documentário, enfim ainda tem muita história pra contar
a idéia é manter, nesse espaço aberto, uma pequena porta para o infinito
.
convite

convite
feitiço de onça
grito de arancuã
olhos de jacaré
bico de bem-ti-vi
a linda jaçana
pula de flor em flor
o martim-pescador
cortou o azul do céu
no cipó da manhã
o sol já vai alto
espelho d'água
espelha a alma
ao som do sapo
a lua canta
os vagalumes
estão grilantes
e as estrelas
tão cintilantes
embalando a noite
já é madrugada
estão todos convidados
convidados
estão todos convidados
é gavião
cabeça-seca
a juriti
e o jaó
a capivara
a sucuri
gato-do-mato
arariranha
e as formigas
as borboletas
os ribeirinhos
o comandante e a tripulação
tetê e carol
Sexta-feira, Julho 07, 2006
Quinta-feira, Julho 06, 2006
vazante
luas e músicas nascentes ...
Beijo prata
o rio tem mesmo a sua cor
navego pra saber
de uma estrela solta
no seu rosto feliz
no céu escuro te ouvir
na outra dimensão
sou uma nave na sua mão
meu rumo, o seu coração
anda que o dia vai chegar
o sol não deixa esconder nada
não há o que possa me curar
a não ser seu beijo prata
chuva não molha
pra não apagar esse fogo
provoque com seu riso
o rio passa e volta novo
marcelo ribeiro, alzira e. jerry

povo de beira rio
vive de pé no chão
chão de água-pés
e canoas
terra no coração
águas que vem e vão
trazem canto de ema
piracema venha
tempestade não
pedido de beira rio
chora chora rio
ora rio
na canção
perdido à beira rio
espelho do céu no chão
brilho de toda essa gente
outra civilização
vem descendo a corrente
venha gente
venha gente
lucina alzira e.
Quarta-feira, Julho 05, 2006
mais música ...

eu pensei que você de fosse barro
eu pensei em você água, eu jarro
eu pensei em guardar você em mim
eu pensei, agi, tentei e estamos aqui
nessa floresta de som
nesse tin tin de cristal
nesse tan tan pantanal
o acorde acorda a manhã
o sonho se faz real
é e por triz esse gosto do fruto na boca
dessa semente ancestral
jerry, alzira e lucina

eu vou descendo o rio
pra corumbá
levo umas prendas menina
pra te ganhar
brinco, vestido, fita
pra te ornar
e uma rede de linha
pra namorar
é só você me esperar lá na beira do cais
olhando para o horizonte meu barco te atrai
mandei um beijo no ar
pra ti tocar
e o vento no rosto
te faz tremer
no por do sol terei você
lucina e jerry
Terça-feira, Julho 04, 2006
Estamos aqui
Estamos aqui
vendo o amanhecer ...

no pé da serra do Amolar...

é assim esse cenário...


poema antigo, música nova
sinais de fumaça
veja meus sinais de fumaça
minhas pálpebras
meus olhos fechados
sinta o meu desejo
esse fogo
você sabe
me pertence
me consome
me percorre
envio meus
sinais de fumaça
aos seus sentidos
é um aviso
essa brasa que arde
uma fogueira acesa
veja
espero um sinal que seja
carol e jerry
Segunda-feira, Julho 03, 2006
passagens
a paisagem é sempre outra
a cada instante uma nova canção ...

água-pés
dança dos camalotes
baile dos água-pés
rio que corre
verde que passa
asas que cortam o céu
duo que lembra notas
galhos sonoras pautas
margem florida
o dia promete
onça pintada de luz
e a lente dos olhos
filmando esse pantanal
lucina e tetê

deixamos para trás o mar de charaés ...
ramagens
rio é margem
rio é miragem
rio que chove na paisagem
o tempo lento
eu invento moda
bandeira ao vento
matos e matas
rumo a dentro
o rio a fora
o rio é ida
é despedida
volta a esperança
a lua dança
rio mudança
águas ramagens
miram passagens
nos vastos pastos
roçam no vento
o que é que está
do lado de lá ?
é mar
é mar
alzira e. carol
...e a serra do amolar
me comunico
telepaticamente
o som traduz
o que o coração
sente
lua crescente
aumenta a saudade
na gente
aquele momento antes
chegará logo
um lago
ali na frente
e o nosso amor
se espalhando
desse rio até vazante
fica ainda mais instigante
que por mais distante
estamos juntos
nesse instante
alzira e.
03/07
estamos bem e felizes !
com saudades de casa ...
qualquer rio
a sua voz
nos meus ouvidos
o rio leva
as tuas mãos
versos e gestos
o rio leva
e na canção
vamos nós dois
o rio leva
outro momento
que vem depois
o rio leva
o brilho d'água
pro teu olhar
o rio leva
lava minha alma
num abandono a beira rio
no rio eu sondo
um som de sonho
rio
sem fim
leve me leva
alzira/alice/tetê
ps:
joguei pro céu
aquele anel
na luz da lua
no rio
prata refletida
feixe em festa
nada me resta
só vida servida
alzulilás
Domingo, Julho 02, 2006
chove música
essencial
desfaço a mala
sigo viagem
tiro adereço
vou no essencial
essencial em mim
é a coragem
o rio passa
eu permaneço paisagem
vontade de mudar o mundo
passo a passo abrir espaço
movimento dentro
afluente do futuro
água dos matos
águas do mato grosso
água de rio cuiabá
paraguai
tetê e lucina
Sábado, Julho 01, 2006
vai partir ...
a partir de hoje os posts acompanham o ritmo do rio paraguai
re mansamente continuaremos enviando notícias todos os dias
fotos, de dentro e fora do barco
e textos de dentro da gente
a partir de hoje o desconhecido será
nosso companheiro de viagem
a descoberta se revelará
a cada amanhacer
na luz do dia
a cada entardecer
na escuridão da noite
navegando
nas curvas deste rio
todos nós
quase uma família
nos desconhecemos menos agora
e vamos
pouco a pouco
nos reconhecendo
de novo na chalana
o rio nos ampara e nos guia
seu fluxo transforma
nosso tempo-espaço
em descoberta
quase revelação
que os próximos seis dias
sejam de encantamento
e mais uma vez
que todos os deuses
nos acompanhem
também vocês, viajantes virtuais
que tornam esse espaço muito mais do que ele é
e que junto com a gente
sentem, choram e riem
se emocionam
e engrandecem
essa expedição
uma boa viagem a todos nós !
Sexta-feira, Junho 30, 2006
sonata sem fim para manoel de barros
ele surgiu assim
numa dessas viagens no rio
entre a névoa e a nuvem
entre o rumor e a bruma
onde a palavra soma
e o pássaro entoa
não trocamos mais do que bons dias
não rezamos juntos as ave-marias
não declaramos sequer uma poesia
que não o encontro
de nossas mãos mornas
e vazias
reconheci em seus olhos
a imagem nítida da paisagem
ele repetia em cada gesto
a precisão do remo na imagem
o sossego e a dispersão
das figuras de linguagem
ele não era senão metáfora de si mesmo
e eu - aprendiz -
de um velho poeta louco
domador da palavra e do sentido
capaz de lesma e gosma
capaz de tudo
não sei desde quando ou até
não sei se
ou senão
tomou me como a um café
de manhãzinha
e mijou-me
ao pé da mangueira
(por ele não me importaria em ser mijo
não me importaria, simplesmente)
naquela paisagem
onde as letras conformam as palavras
rio é mar, é riacho, é córrego e nascente
arrebol é mais que sol poente
naquele momento
em que o tempo pára
e tudo nasce
e envelhece e morre
quando o musgo vira árvore
e o sapo pedra
– é a hora do vamô vê !
e se foi ...
onde já se viu?
voou como um papel ao vento
como um pássaro ao entardecer
(na insignificância do desencontro
munidos de ciscos e restos
a tentação de desinibir as palavras
só para desiliminá-las depois)
Quinta-feira, Junho 29, 2006
chegamos em cáceres ...

arrumar as malas
pegar a van
uma cheia de gente
outra cheia de bagagem
viagem por terra
asfalto
deixamos pra trás
os garimpos
embora os buracos
da estrada
tenham nos acompanhado
por algum tempo
des caminhos
um des caso nacional
provavelmente porque
político anda mesmo
de avião
deixamos pra trás
o rio cuibá
lá em porto cercado
antes mesmo de poconé
que não tem rio
e encontramos
finalmente
o rio paraguai
o jantar foi peixe
muito bem servido
ventrecha de pacu
que é vegetariano
aquelas costelinhas
tudo de bom ...
e o rio ...
chegamos a noite
o show será amanhã
que são pedro nos
abra as portas
para o matão
que vem por aí
.
Quarta-feira, Junho 28, 2006
fachada
na cidade de poconé existe um horto, uma área de recomposição de um buraco de garimpo desativado, iniciativa louvável, não fosse o fato de que ao lado, bem ao lado mesmo, existe uma mineradora funcionando.

é impressinante a quantidade de terra movimentada, a ferida, o trauma que esse tipo de atividade traz para o nosso planeta.
essa é a porta do pantanal, um buraco em que só há saídas, tudo se retira e nada se devolve, nem se resolve.
o garimpo aqui é centenário e legal, feito corretamente, com a aprovação do poder público, mas para mim não é possível conviver com isso dentro do pantanal, é no mínimo uma imoralidade ...

quando é que as pessoas vão compreender que o verdadeiro ouro está entre o amanhecer e o crepúsculo, entre a lua nova e a cheia, entre o homem e o bicho, e nada mais tem valor.
ouro é arrebol. dinheiro é papel pintado, e não vale nada

o buraco não tem fim minha gente, o poder está concentrados nas mãos de alguns poucos, e mais uma vez é a natureza quem padece.
Terça-feira, Junho 27, 2006
tudo aquilo que a nossa civilização rejeita, pisa e mija em cima, serve para poesia.
manoel de barros, poeta sul matogrossense
quanto lixo por aqui ...

é impressionante que poconé, uma das porta de entrada para o pantanal norte, não tome providencias com relação ao lixo urbano, uma vergonha pra mouros e cristãos. uma vergonha pra cidade, para o estado, para o país.
até quando vamos permitir que o poder político se sobreponha aos reais interesses dos cidadãos?
até quando a falta de educação nacional vai se espalhar pelas ruas, rios e córregos ?
é mais que triste, é um atentado, um lixo, um descaso,
pobre e ricos, cada qual no seu campo de batalha,
quem venceu a cavalhada não sei ...
só sei que a natureza continua perdendo a guerra

LIXO AQUI NÃO É POCO NÉ ... VAMOS MUDAR DE ATITUDE ...
.
sobre a situação
o extrativismo
o garimpo
a madeira
tudo tem
que ser
reescrito
a história
é outra
a natureza não se impõe mais
não é mais a nossa inimiga
como nos tempos dos dinossauros
o progresso é progressivo
o tempo é agora
a situação é a seguinte:
ou a humanidade se liga e
redescobre esse planeta ou
vamos continuar vivemdo assim
como na idade média
a natureza está indo embora
nossos rios escoam e ecoam
o futuro é hoje
humanidade
toma um guaraná e
se liga
é hora de deixar
a paisagem em paz,
o brasil precisa
fingir menos
e agir mais
mais rigor
nossos peixes, pássaros,
flores, matos, rios ... mares ...
estão sofrendo
nos próximos 20 anos
muitas espécies estarão extintas
e nós,
humanos
por quanto tempo
ainda
vamos existir
resistir ...
lutar ...
o planeta
nossa casa
merece uma faxina
e você
está disposto
a mudar
o mundo ou
pretende
se mudar
pra lua ...
Segunda-feira, Junho 26, 2006
Domingo, Junho 25, 2006
embarcação

o tempo vem de longe
vem pelo rio
o vento vem descobrindo
tudo que foi
meus olhos enchem de água
vão pelo rio
na dança nossa lembrança
é tão antiga
e ainda criança
vão pelo rio
dando arrepio
que ironia
as águas frias aquecem
nossos dias
vem meu amor
vem pelo rio
vem na canção
a embarcação
vem pelo rio
vem me abraça
pega essa barca
lucin'alzira e.
barão de melgaço
23/06
Sábado, Junho 24, 2006
valei-me santo antônio
escrever
é ato insano
sobretudo
o ritmo
do fluxo
a intensidade
cidade
derradeira tinta
derrama-se
no céu de
inverno
verão
minha solidão
é enorme
vasto o mundo
raimundo
mínimo
como o tempo
que implode
descrever
é ato insano
a imagem
exposta
a mostra
impõe
nossa tentação
Sexta-feira, Junho 23, 2006
ontem
....viagem
retorno de júpiter
o vento
é brisa
passagem
o espaço
os astros
as estrelas
pessoas que se agrupam
uma garça
três canoas
parece que
nada
nessa vida
é à toa
as imagens
não capturam som
nem cheiro
nem sabor
só luz e cor
palavra que decifra
discorre
demora pra chegar
hora da partida
o capitão diz
não devemos ir
todos para
o mesmo lado
barco de
baixo calado
quem rege
é o jerry
o motor liga
lá vamos nós
Quinta-feira, Junho 22, 2006
haicais
fim de tarde
os pássaros em bando
voltando pra casa
quase noite
um pássaro solitário
no céu
cai a noite
a primeira estrela
é vênus
Quarta-feira, Junho 21, 2006
Terça-feira, Junho 20, 2006
Segunda-feira, Junho 19, 2006
jardim vitória
olho para o céu e procuro as plêiades, sempre procuro primeiro as plêiades, mas é escorpião inteiro o que eu encontro, a santa crux, orion num céu aberto até não poder mais.
periferia, a rua de terra nua
a terra vermelha mesmo durante a noite parece sangue às vezes
as tirinhas verde amarelas penduradas tremulam com o vento
a noite é fresca
oficina de canto ao lado
bla, ble, bli, blo, blu
A A E E I I O O A
no céu as estrelas e os satélites
as estrelas são os olhos da noite sem lua
a rua de terra o bairro precário as crianças felizes
- a senhora é de são paulo capital? conhece santos?
me pergunta o mais tímidos dos meninos que estavam pra fora
fotos e endereços trocados
a oficina termina
o burburinho começa
fecho o caderninho
- todo rio vai dar no mar, né? então o mar deve ser sujo ...
- eu gosto de sair de uma estrada e seguir por outra, eu gosto de geografia
- eu conheço quatro estados e um país

norlam da rocha costa nascimento 16/07/1994
porque você pediu uma canção para cantar
aline figueiredo é a história viva do mato grosso - do mato grosso sem norte ou sul - de quando ainda era capitania de são paulo
cuiabá 1719 é anterior a capitania de mato grosso 1748, cuja primeira capital foi villa bela, lá no oeste
aline, nossa anfitriã nesse domingão de copa 2X0, e tetê com saudades do pelé. enfim, dourado na mesa, foto da galera
anotei o que me disse aline na sua sabedoria históricoartística do planeta :
- o rio é estrada que anda
"eu, bandolero, no meu cavalo alado" é o som de fundo do ensaio ao lado
- o rio paraguai é de remanso, manso, de tempo lento e curvas largas
a noite chegou e quase nem se percebe. o calor. o ar. o ventilador. histórias dos pernilongos, lendas, ensaios, tudo se mistura e dissolve
- a história se escreve com a geografia
eu... vou eu me situando com o GPS - que bóia- meu único equipamento a prova d'água
horizontes a perder de vista
________________________________
coordenadas do dia:
hotel deville
s 15º 35' 37.9''
w 056º 06' 09.6''
casa da aline
s 15º 35' 41.3''
w 056º 06' 27.7''
Domingo, Junho 18, 2006
HOTEL DEVILLE
cuiabá
a lua no último quarto
meia
entra inteira pela janela
nosso primeiro quarto
o corpo pede cama
pede descanso
merecido
amanhã
certamente o sol
inteiro
vai inundar o quarto
pela manhã
nascente
de onde agora
só noite e lua
a cidade se estende
e atravessa
a madrugada
pela janela
o reflexo
das distâncias
a percorrer
hoje ainda é ontem
acerto o fuso
e os relógios
amanhã
já é outro dia
Sábado, Junho 17, 2006
tudo pronto
malas prontas
todo equipamento na mão
terminal + câmera + filmes + clarinete
na bagagem as roupas + travesseiro + shampoo
+equipamento+ pilhas recárregáveis + cabos +++
na espinha um frio na barriga
tudo pronto
neste dia que entristeço a morte do bussunda
que me apresso no tempo para que passe mais lento
momento de saudade daquilo que ainda
não aconteceu
almoço em família
dupla
alzira + iara + joe+cauê+ aru + arru +
bia + zeca + guto +
ian em brasília volta amanhã
quando antes hoje já terei embarcado
21:42
bagagem de mão fora a minha tem
craviola + violão de aço + baixo
+ câmera HD alugada +++
mulheres ...
então é até já daqui a pouco
certamente um post da foto do embarque
amanhã é o ensaio
o jogo do brasil
estaremos juntos
expedicionando
expedicionários
hora do shut down e do check-in
do estou indo
volto na próxima lua cheia
e já nem quero mais parar de escrever
é hora
tudo pronto
e ponto
Sexta-feira, Junho 16, 2006
Quinta-feira, Junho 15, 2006
diálogo inventado para manoel de barros
com o livro na mão, lhe disse:
- trouxe aqui uma máquina de reverter pedra em coração!
ao que ele me respondeu, sem entretantos:
- por aqui, minha filha, todas as pedras já foram revertidas...
e foi daí que ele me transformou num sapo, e costurou minha boca.
eu fiz dele uma pedra, e nunca mais saí de cima da sua cabeça.
Quarta-feira, Junho 14, 2006
dia útil
parece que nessa semana fatou dia, faltou mais gol do brasil ...
dia sim dia não vou tentando fechar as malas e desatar os últimos nós antes do embarque, sábado, 21:42, eu, alzira, tt, lucina e marcelinho saindo de são paulo destino cuiabá, os outros procedem de outros destinos.
hoje fui à arycom buscar nosso "equipamento de contato" - o terminal via satélite - um modem do tamanho de um laptop, mais pesado talvez, com uma antena que se desdobra em três partes e se transforma numa placa um pouco maior que uma folha A3 com espessura de uns 3 cms; a antena deve ser direcionada para o satélite, na verdade 2 estarão disponíveis para nós: um a norte, sobre belém, e outro a leste, sobre a áfrica, tecnologia inmarsat.
é relativamente simples: primeiro conecta o cabo da antena no modem e liga o aparelho que pede uma senha, daí, é só procurar o sinal direcionando a antena para o satélite, assim que passar dos 540 tracinhos, OK, contato estabelecido. veja que não se trata de um aparelho móvel e sim de um aparelho portátil.
o modem liga no computador e então é quase como se a gente estivesse em casa, não tem segredo e estamos conectados, podemos mandar emails, fotos, notícias frescas e úmidas diretamente dos rios do pantanal.
tudo muito maluco e contraditório, assim como sair dessa cidade seca e poluída e cair pr'oeste, lá pras terras onde o sol se põe, onde a lesma gosma; o centro da américa do sul, antigo mar do mais antigo mar de outras eras, hoje mar doce rio do pântano.
por lá quase não há variação de altitude, o que varia é o rio que cheia e vaza todos os anos, demonstrando a estação, movendo gado e formigas.
penso que o brasil é maior que ele mesmo, tão grande que não se reconhece, tão distante que não se percorre, rico nas diferenças culturais, pobre nas sociais; um país que pará e suspira junto: futebol !
agradeço ao pessoal da arycom: olívia, vietti, felipe e danni, pelo empréstimo do equipamento e, pela paciência em me ensinar a pilotar o terminal para que esse blog seja atualizado todos os dias durante a viagem.
agradeço ao andré gurgel que estará atualizando, durante toda a viagem, nossa rota no geobusca, colhendo os dados do gps e linkando com as fotos.
agradeço ao guto, meu querido companheiro de estrada, que dessa vez vai ficar por aqui, com as crianças, me ajudando na atualização do blog.
agradeço a alzira, a tetê, ao jerry e ao arnaldo que me deram a oportunidade de estar participando desse projeto, e ao arruda, que não vai, pela inspiração e pelo incentivo.
agradeço aos deuses todos, e, principalmente
agradeço a você, que estará por aqui, compartilhando, desejando e torcendo pelo nosso sucesso. é por você que qualquer esforço vale a pena.
viaje com a gente todos os dias ...
blog de bordo, na água até 9 de julho .
Terça-feira, Junho 13, 2006
prefácio às ficções de interlúdio
fernando pessoa (dat.1916?)
referem-se os astrólogos os efeitos em todas as cousas à operação de quatro elementos - o fogo, a água, o ar e a terra. com este sentido poderemos compreender a operação das influências. uns agem sobre os homens como a terra, soterrando-os e abolindo-os, esses são os mandantes do mundo. uns agem sobre os homens como o ar, envolvendo-os e escondendo-os uns dos outros, e esses são os mandantes do além-mundo. uns agem sobre os homens como a água, que os ensopa e converte em sua mesma substância, e esses são os ideólogos e os filósofos, que dispersam pelos outros a energia da própria alma. uns agem sobre os homens como o fogo, que queima nele todo o acidental, e os deixa nus e reais, próprios e verídicos, e esses são os libertadores. caeiro é dessa raça. caeiro teve essa força. que importa que caeiro seja de mim se assim é caeiro?
assim, operando sobre reis, que ainda não havia escrito alguma cousa, fez nascer nele uma forma própria e uma pessoa estética. assim, operando sobre mim mesmo, me livrou das sombras e farrapos, me deu mais inspiração e mais alma à alma. depois disto, assim prodigiosamente conseguido, quem perguntará se caeiro existiu?

in fernando pessoa - obras em prosa
Segunda-feira, Junho 12, 2006
poema para a felicidade de Alzira e arrudA
quando a felicidade entra
pela porta da frente
sai pela garganta
escorre entre os dedos
poesia largada em riso
verso sorrateiro
que atravessa a noite
travesseiro
vinho tinto
- mais uma taça
si vous plé
por seu prazer
levanta um brinde
aos dias que virão
futuro do presente
a felicidade
quando entra
pela porta
da frente
fica retida
na espuma
das ondas
nos seixos
rolados
das nuvens
no silêncio
da madrugada
a felicidade
é presente dos deuses
e das fadas
Domingo, Junho 11, 2006
3 haicais
estrelas e janelas
só uma acesa
- lua desta noite
viajante solitária
nesta noite sem nuvens
eu e a lua
lua desta noite
de outras tantas noites
quantas luas ?
Sábado, Junho 10, 2006
sentido
o dia da chegada
demora
o dia
da partida
a viagem
é o tempo
fracionado
entre o agora
e o depois
há tempos
que esta data
já estava marcada
agora é a hora
que se aproxima
a barca
tem o tempo
das águas
que percorre
a água
escorre
o tempo
que recolhe
Sexta-feira, Junho 09, 2006
Quinta-feira, Junho 08, 2006
Paisagem fluvial
no ritmo das águas
no ritmo dos peixes
no ritmo dos seixos
rolando no rio
correnteza leva meu corpo
pra longe
junto dos juncos de musgo verdinho
macio
que aflora na fofa folhagem dos flancos
nessa paisagem fluvial flutuo
nessa paisagem fluvial eu vivo
navego entre as margens devagar
na grave gravura vegetal
(Tetê Espíndola e Arrigo Barnabé)
Quarta-feira, Junho 07, 2006
geografia astrologia poesia
francamente a geografia
não era o meu forte
nos tempos do colégio
nunca entendi porque
decorar
aquelas informações
pudera
meu professor
policial rodoviário
teria passado por quantos
daqueles tantos
lugares ?
mais tarde na vida
nas estradas estragadas
o pneu sobre o chão batido
os mapas
os mapas
a geografia materializada
nos vales e nas montanhas
do destino ao ponto
de partida
a estrada
foi pra mim
um divisor de águas
no sentido geográfico
o mapa astral
não é nada mais
que um indicador
de caminhos
possibilidades de paisagens
estrelas iluminadas
quem sabe
do destino ao ponto
de chegada
quando se nasce
somos peixe
fora d'água
a água do homem
é o ar
que ele respira
a terra
onde derrama a semente
o fogo que aquece a alma
desfaz-se em poesia
sei que tudo já foi dito
tudo já está escrito
nos mapas
nos astros
desde marte
até o egito
Terça-feira, Junho 06, 2006
escrito nas estrelas
Horóscopo Diário Pessoal de Carol, 13 Abril 1968
©Astrodienst AG
Recolhimento intelectual
Embora este seja um período de recolhimento do ponto de vista intelectual, não se trata de recolhimento num sentido negativo. Você não se recolherá para fugir da realidade, mas para refletir e ponderar acerca de todas as idéias que vem tendo ultimamente. É uma boa ocasião para examinar sua vida pessoal e avaliar até que ponto está satisfazendo suas próprias necessidades. Este trânsito favorece enormemente as discussões em família sobre as questões que afetam a todos. Seus pensamentos poderão transportar- se muitas vezes a fatos que ocorreram no passado, levando-a a perguntar-se por que não consegue se concentrar nas coisas do presente. Como você estará em condições de verbalizar até seus mais íntimos pensamentos, deverá fazê-lo sempre que sentir que algo precisa ser dito. Não deixe que se acumulem pressões dentro de você por não expressá-las aos que a cercam.
Trânsitos selecionados para hoje:
Mercúrio na 4ª Casa 4
Período ativo de 30 Maio 2006 até 19 de junho 2006.
fonte: www.astro.com
Domingo, Junho 04, 2006
blood mary
Eu sou uma Mulher
poema de Marina Colassanti
Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar
Os homens vertem sangue
Por doença
Sangria
ou por punhal cravado,
rubra urgência
a estancar
trancar
no escuro emaranhado
das artérias.
Em nós
O sangue aflora
Como fonte
No côncavo do corpo
Olho d´água escarlate
Encharcado de cetim
Que escorre
Em fio
Nosso sangue se dá.
De mão beijada
Entrega-se ao tempo
como chuva ou vento.
O sangue masculino
tinge as armas
e o mar
empapa o chão
dos campos de batalha
respinga as bandeiras
mancha a história.
O nosso vai colhido
Em brancos panos
Escorre sobre as coxas
Benze o leito
Manso sangrar sem grito
Que anuncia
A ciranda da Fêmea.
Eu sou uma mulher
Que sempre achou bonito
Menstruar
Pois há um sangue
Que corre para a morte.
E o nosso
Que se entrega para a LUA.
Sexta-feira, Junho 02, 2006
Cântico negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
.....................................................................
José Régio,
pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.
fonte: www.releituras.com/jregio_menu.asp
Quarta-feira, Maio 31, 2006
meu caro
espero que tenha chegado bem
nessa viagem
e que seu destino
seja tão certo
quanto o nascer dos dias
tão doce
quanto as jabuticabas
no verão
eu
ainda estou aqui
esperando o dia
da partida
como quem espera
num corredor lotado
a sua vez
contando os dias
e as horas
prisioneiro que sou
deste reverso
calculo matematicamente
todas as possibilidades
do imprevisível
estendo minhas noites
sobre o diário das viagens
alheias
como se fossem minhas
só minhas
e sonho
extensão do ser
intenção do verbo
nem saí daqui
e já estou viajando
Terça-feira, Maio 30, 2006
s i l ê n c i o
"Eu tenho à medida que designo - e este é o esplendor de se ter uma linguagem.Mas eu tenho muito mais à medida que não consigo designar. A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la - e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que instantaneamente reconheço. A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas volto com o indizível. O indizível só me poderá ser dado através do fracasso da minha linguagem.
Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu"
LISPECTOR, Clarice. A Paixão Segundo G.H.. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1990, p.180.
in www.triplov.com/coloquio_05/julio_cesar.html
Sábado, Maio 27, 2006
Do lugar onde estou já fui embora
O Livro sobre Nada
Manoel de Barros
Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
A inércia é o meu ato principal.
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
Por pudor sou impuro.
Não preciso do fim para chegar.
De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.
Do lugar onde estou já fui embora.
MANOEL DE BARROS, poeta e fazendeiro mato-grossense, nasceu em 1916 e teve seu primeiro livro publicado em 1937 - Poemas concebidos sem pecado. Passou a ser mais conhecido a partir do ano de 1997, quando ganhou o prêmio Nestlé de Literatura. De seu "Livro sobre Nada", Editora Record - Rio de Janeiro,1997, págs. diversas, já em 5ª edição, extraímos os versos acima. Nele o autor diz, a título de "Pretexto":
"O que eu gostaria de fazer é um livro sobre nada. Foi o que escreveu Flaubert a uma sua amiga em 1852. Li nas Cartas exemplares organizadas por Duda Machado. Ali se vê que o nada de Flaubert não seria o nada existencial, o nada metafísico. Ele queria o livro que não tem quase tema e se sustente só pelo estilo. Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora."
fonte: http://www.releituras.com/manoeldebarros_nada.asp
Quinta-feira, Maio 25, 2006
Quarta-feira, Maio 24, 2006
people are strange ...
People are strange when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked when you're unwanted
Streets are uneven when you're down
When you're strange
Faces come out of the rain
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange
When you're strange
When you're strange
___________________________________________
Doors
Strange Days
___________________________________________
Terça-feira, Maio 23, 2006
Segunda-feira, Maio 22, 2006
Sobre Um Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
– a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
– Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
– E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Herberto Hélder
Domingo, Maio 21, 2006
bom dia !
acorda baby
já é tarde
olha o céu azul
da cor
deste domingo
acorda baby
que o dia está lindo
que o tempo
anda lento
e o sol
está sorrindo
acorda baby
já passou da hora
de estar dormindo
acorda ...
eu já vou indo ...
Sábado, Maio 20, 2006
Sexta-feira, Maio 19, 2006
contagem regressiva
dia 19 de junho vamos de fato
embarcar nessa viagem cuiabá > corumbá
durante 20 dias navegaremos os rios cuiabá e paraguai
conviveremos em um barco
14 pessoas envolvidas + tripulação + produção local
surpreender e surpreender-se
encontrar a palavra-chave
a frase que desvenda
e transforma
o instante
em texto
prosa
verso
imagem
sentimento
três haicais
a rã de Basho
salta sobre as nuvens
espelho d'água
na manhã azul
pássaros coloridos
estão de passagem
grandes nuvens
e as montanhas ao longe
não existem mais
Quinta-feira, Maio 18, 2006
Quarta-feira, Maio 17, 2006
expedição
seguir
nosso caminho
destino
descer o rio
redescobrir
na água dos matos
os povos do brasil
quem sabe o que nos espera
nessa rota
trilha geoespacial
na curva do rio
que se abre
página a página
como num antigo
livro de estórias
como antes
nas antigas expedições
os ilustradores
os escribas
os escritos
relatos de bravos
desbravadores
nessa era
nossa
outra
a foto é digital
bloco de anotações laptop
a chalana tem gerador
o ar é condicionado
e a informação voa
via satélite
na terra
de manoel de barros
me inspiro
pra compor esse retrato
relato refletido
no espelho
destas águas
coordenadas
AGENDA
19 de junho de 2006
São Paulo > São Gonçalo
20
São Gonçalo >
S 15 39' 12.8"
W 056 04' 02.6"''
21
Santo Antônio Leverger
S 15° 51' 59.2''
W 056° 04' 38.8''
22
Santo Antônio > Barão de Melgaço
23
Barão de Melgaço
S 16° 11' 41.6''
W 055° 58' 04.6''
24
> viagem Rio Cuiabá
25
Rio Cuiabá > Porto Cercado >
S 15° 54' 11.8''
W 056° 12' 55.2''
26
Poconé
27
Poconé >
S 16° 15' 26.8''
W 056° 37' 24.4''
28
Cáceres
29
Cáceres
30
Cáceres >
S 16° 04' 15.6''
W 057° 40' 45.6''
01 de julho
viagem Rio Paraguai
02
Rio Paraguai
03
churrasco musical comunidade ribeirinha
04
churrasco musical comunidade ribeirinha
06
Corumbá
07
Corumbá
S 19° 00' 21.1''
W 057° 39' 04.3''
08
Corumbá > São Paulo
S 23° 33' 04.2''
W 046° 38' 03.4''
Terça-feira, Maio 16, 2006
conectividade
quando o projeto água dos matos se concretizou mediante o patrocínio da natura, uma nova idéia surgiu:
nesses vinte dias de expedição pelas entranhas do rio paraguai seria possível estar on line, via satélite, conectado com o planeta, de lá, do barco, mostrando e comunicando ao mundo as nossas descobertas.
acreditando que a notícia em tempo real é a base da comunicação na sociedade contemporânea, e que ao mesmo tempo existem comunidades espalhadas pelos confins do mundo sem qualquer “conexão” com os acontecimentos globais, vivendo sem carro, sem luz ou telefone, unir estas duas realidades será nosso desafio.
enviar imagens e textos com as nossas impressões, ter a disponibilidade de comunicar as sensações do encontro com a natureza e com as pessoas que tem seu universo circunscrito ao rio, no coração do pantanal, será nosso objetivo.
Conectividade … o que é?
conectividade é contar a estória de dentro dela e a partir dela; poder transmitir através de fotos e textos como é participar de uma expedição como esta. É possibilitar a qualquer pessoa deste planeta se juntar a nós nesta viagem.
durante a viagem a comunicação se dará através deste blog, com num diário de bordo, relatórios poéticos e fotografias, tudo transmitido via satélite pelo sistema GAN da inmarsat, gentilmente cedido pela empresa arycom.
com a utilizacão de um GPS para enviar as coordenadas o site geobusca.com.br disponibilizará nosso trajeto nas imagens de satélite google maps, e fotografia agregando informações precisas sobre a nossa localização.
Conectividade … por quê?
aproveitar a tecnologia e vencer a barreira do espaço, plugados e isolados ao mesmo tempo, distante das grandes cidades, em meio a pequenas comunidades ribeirinhas, convidadas para um churrasco e show, deste lugar onde as notícias chegam de barco ou a cavalo, deste lugar poderemos nos comunicar com o mundo.
navegar pelo pantanal e conectar-se via internet é a nossa viagem, queremos proporcionar para você uma perspectiva real e ao mesmo tempo poética da diversidade cultural brasileira;
durante os 20 dias da expedição fazemos um convite para os internautas do planeta nos acompanhar nesta viagem.







































































































































